Desabrochar

   A vida é continuidade. A Terra gira, o coração bate, as pessoas passam, o tempo escoa num efêmero infinito. As pausas que inventamos são apenas metáforas relativas. Somos bilhões, mas somos pequenos em um Universo infindável. E somos bilhões de universos a serem explorados.
   Às vezes nos perdemos no impassível das paredes, somos empurrados pela continuidade da areia na ampulheta ou sufocados por todas as escolhas possíveis que nos pressionam, apesar de distantes. Porém, de repente nos surpreendemos com o céu que é azul, com o carinho que é a amizade, com o milagre que é viver, com a sutileza que é a bondade, como se nos déssemos conta de tudo pela primeira vez. É o amor o pólen que espalhamos ao vento quando nos descobrimos nascendo para o mundo, frágeis e maravilhados, como flores desabrochando numa nova primavera. Mel é o que o ele se revela ao chegar àqueles que deixaram as janelas abertas para sentir que o vento é mais poderoso do que a frieza das paredes.
   A cada estação despertamos, cada vez mais cientes de nós, que somos nós na medida em que vivemos e nos vemos no espelho dos olhos dos outros.

Beatriz F. Teixeira
12/08/2015


Notavelmente editado em 02/02/2017.

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