Na Teia do Morcego - Jorge Miguel Marinho

      "Com um estilo completamente livre de narrar e uma enorme criatividade para o desenrolar dos fatos e principalmente para a criação das personagens, Jorge Miguel Marinho escreveu uma obra, sem dúvida, intrigante. Os diálogos, onomatopeias (sim, quase como nos quadrinhos), meios de comunicação diversos são bem articulados e a linguagem predominantemente informal, variando de acordo com cada personagem. É até mesmo difícil definir o gênero do livro, que apresenta uma verdadeira "teia" de mistério, drama e até mesmo algumas doses de romance e comédia."


Sinopse:

    A história se passa na região central da cidade de São Paulo e tem como um dos protagonistas o Batman. Será esse Batman o mesmo dos quadrinhos, fugido de Gotham City, ou somente um louco fissurado no personagem? O ponto de partida do mistério por trás de Na Teia do Morcego é a morte da jovem Abigail Aparecida Chaud, e seu envolvimento com o herói, conhecido pela alcunha de Cidadão Tristeza. Essa figura pula pelos telhados dos prédios, assusta gatos, dirige um Maverick e tem uma capa brilhante. De vez em quando, chora grossas lágrimas pretas iguais a nanquim e deixa copos borrados de batom. O Cavaleiro da Justiça, como se autodenomina, é um personagem peculiar – e vira alvo fácil de ataque dos moradores da região. Sem saber quem é o verdadeiro assassino e tendo suspeitos em todos que conheciam a moça assassinada, o autor convida o público a tentar desvendar esse mistério.
Editora Gaivota

Opinião:

   A primeira coisa que chama a atenção em A Teia do Morcego, é a edição e qualidade física. Não é à toa que o livro foi finalista do Prêmio Jabuti 2013 na categoria Projeto Gráfico. A capa e o interior do livro são ilustrados, e a história é narrada tanto tradicionalmente como por meio de recortes de jornal, cartas, trechos de diário, atas, e-mails, etc., portanto é uma obra incrível visualmente.

   Mas o principal é o conteúdo, certo? Pela sinopse fiquei muito interessada no livro, que prometia um mistério no mínimo curioso, visto que envolve o próprio Batman perambulando por São Paulo. De fato, o suposto suicídio de Abigail Chaud intriga todos os moradores do Edifício Luz del Fuego. A investigação segue por meses a fio com pistas contraditórias e muitos suspeitos, já que ao que tudo indica, a "moça da luneta", como era conhecida por observar a vida dos moradores através de uma luneta em sua sacada, tinha mais motivos para ser assassinada do que para se matar. Cada morador possui seus segredos, e se eles estão ou não relacionados à Abigail é a grande charada. Como escreveu o próprio Batman:
"Todos temos um pouco de detetive e assassino. De certa forma investigamos um crime buscando absolvição. Digo isso porque sei exatamente quem foi o assassino de Abigail e o fato de conhecer intimamente o culpado não absolve os outros envolvidos. É como se um tomasse a dianteira realizando o desejo do outro. Todos odeiam pessoas como ela e eu também tinha meus motivos. Abigail cultivava e deixava minar de dentro dela aquele dom de deixar todo mundo inquieto. (...) Apenas procuro ver com imparcialidade que todos são assassinos, até mesmo ela que não deixa de ser a vítima e o seu próprio algoz."
Pág. 151
   Aliás, aí está o outro grande mistério do romance: o Batman, idêntico ao das HQs, combatendo o crime de São Paulo, aquele a quem os moradores passam a chamar principalmente de Cidadão Tristeza por sua fisionomia melancólica. De início, eles o repudiam e até o temem, mas quando ele desaparece tentam chamá-lo de volta. Porém, essa charada-personagem cabe a nós, leitores, desvendarmos. Quem mais nos dá pistas sobre essa figura é um jovem, Hermann, que sai para agir junto com o Batman em algumas noites, como se fizesse para ele o papel de um Robin temporário. É ele quem mais se aproxima do herói, embora desconhecendo a maioria de seus mistérios. Por exemplo, por que Batman parece se desfazer em tinta escura quando chora? Será ele quem realiza os telefonemas misteriosos para cada morador do prédio? Será ele o próprio Batman ou um fanático qualquer?

   Com um estilo completamente livre de narrar e uma enorme criatividade para o desenrolar dos fatos e principalmente para a criação das personagens, Jorge Miguel Marinho escreveu uma obra, sem dúvida, intrigante. Os diálogos, onomatopeias (sim, quase como nos quadrinhos), meios de comunicação diversos são bem articulados e a linguagem predominantemente informal, variando de acordo com cada personagem. É até mesmo difícil definir o gênero do livro, que apresenta uma verdadeira "teia" de mistério, drama e até mesmo algumas doses de romance e comédia.

   Entretanto, por mais incrível que pareça, não me envolvi com a história em si como esperava, e cheguei a me decepcionar um pouco com o desfecho. Foi completamente inesperado, mas não correspondeu a minhas expectativas, se bem que a intenção do autor talvez tenha sido justamente essa. O Batman? Um mistério que para mim continuará sem resposta, e isso para mim foi a melhor parte do enredo. Ou seja, particularmente, A Teia do Morcego é um livro bom, mesmo não tendo correspondido às minhas expectativas em relação ao enredo, apesar de ter superado em termos de originalidade.
Talvez minha opinião seja tão paradoxal quanto os personagens dessa teia.

Nota: 7,5
Nota no Skoob: 3/5

Ficha técnica:
  

Título: Na Teia do Morcego

Autor: Jorge Miguel Marinho

Editora: Gaivota

Nº de páginas: 255



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