Laranja Mecânica - Anthony Burgess

A questão é se uma técnica dessas pode realmente fazer um homem bom. A bondade vem de dentro. A bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem. - Laranja Mecânica, A. Burgess

Edição especial da editora Aleph
Sinopse:
 Publicado pela primeira vez em 1962, e imortalizado 9 anos depois pelo filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica não só está entre os clássicos eternos da ficção como representa um marco na cultura pop do século 20. Meio século depois, a perturbadora história de Alex – membro de uma gangue de adolescentes que é capturado pelo Estado e submetido a uma terapia de condicionamento social – continua fascinando, e desconcertando, leitores mundo afora.
Skoob

Opinião:
Laranja Mecânica é a história de um anti-herói adolescente, Alex, que costumava sair durante a noite com sua gangue para praticar atos criminosos de violência com quem quer que seja, por prazer e diversão. A primeira parte do livro descreve essas noites e cada crueldade cometida nelas.
Porém, em um assalto "mal sucedido" o protagonista é capturado pela polícia e - depois de um período na prisão arquitetando um modo de escapar - submetido a uma espécie de tratamento, o Ludovico, com o objetivo de curá-lo dos impulsos maldosos. O procedimento consiste na injeção de alguma substância responsável por causar náuseas e mal estar, seguida da visualização de cenas de violência, que faz com que o cérebro do indivíduo associe uma coisa à outra, de forma que ele deixa de praticar tais atos. Não por escolha ou mudança de mentalidade, e sim por pura sensação de enjoo. Isso é narrado na segunda parte.
Por fim, na terceira parte, Alex é libertado e reinserido no mundo, mas seu sofrimento ainda não terminou. Ele, agora completamente indefeso, é maltratado por antigos inimigos que procuram vingança.

A obra é incrível principalmente pelo vocabulário diferenciado. Alex e sua gangue se comunicam pelo nadsat, suas gírias especiais, misturado a um vocabulário formal. Por exemplo, ele se dirige - a narração é em primeira pessoa - aos leitores com a expressão "Vosso humilde narrador". A edição de 50 anos da editora Aleph possui um glossário do nadsat, o qual você desiste de consultar após algumas páginas, porque você acaba se familiarizando e entendendo o contexto. Esse estranhamento, afinal, foi uma estratégia de A. Burgess para envolver o leitor.

Minhas impressões sobre a história foram as que eu previra: chocante e angustiante. Senti raiva durante todo o livro, raiva do Alex, de sua gangue, do governo, da polícia, etc., etc.. Mas valeu a pena, com certeza, principalmente pela construção da escrita do autor, que mencionei anteriormente. A edição de 50 anos da editora Aleph é maravilhosa, de capa dura com jacket (sobrecapa), ilustrada, ótima fonte, extras como textos do autor, algumas páginas do original, glossário, etc..
Enfim, esse é um daqueles livros - pelo que vi nas resenhas do Skoob - que divide opiniões, e eu fico num meio termo. Não amei, gostei da criatividade, do vocabulário, da crítica, mas a história em si não me impressionou.

Nota: 7,5

Ficha técnica:

Título: Laranja Mecânica

Título original: A clockwork orange

Autor: Anthony Burgess

Editora: Aleph
 
Nº de págs. (da edição normal): 224

Adaptação cinematográfica: Laranja Mecânica (1972), dirigido por Stanley Kubrick, com Malcolm McDowell (Alex).



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