Sonho, refúgio e liberdade

Créditos na imagem.
Preciso escrever.

 Apaguei diversas tentativas de começar esse texto. Nenhuma chegara a ter mais de sete palavras, até agora. Então parece que temos um começo. As duas palavras que os introduziram são, na verdade, um forte sentimento tentando ser verbalizado. Estava escrevendo uma resenha, mas o escrever que preciso agora me levou a fechá-la. Peguei meus fones de ouvido. Troquei de sala para ficar sozinha com as palavras. Fechei as redes sociais, deixei além do blogger só o Youtube aberto, tocando Oceans, pianos e violoncelos, pois preciso também de música, e não do tipo que ouço todo dia e toda hora. Esse texto também é especial. Entre tantas formas de arte, a música e a literatura são as que compõem minha vida.
 Em algum momento dos últimos dezesseis anos, manifestou-se em mim essa inclinação, essa convicção, uma vontade, uma necessidade, uma luz intensa demais para ser guardada: preciso escrever. Sim, manisfestou-se, pois nada tão forte teria simplesmente nascido em mim, do nada. Fui influenciada, incentivada por ter sido criada em meio aos livros, minhas amadas histórias. Foi o que Deus reservou para mim dentre suas graças. 
 Enfim, essa paixão cresce. Loucamente. E hoje, hoje eu queria escrever algo assim - sincero, verdadeiro, desinteressado, que não fosse corrigido, que não valesse nota, que não tivesse tempo para entregar. Agora não me importo com a gramática. Nada de dissertação, de argumentação. Que seja o que vier à minha mente.
 Meu coração se abre. Escrevo. Tenho mil ideias, elas vieram em uma onda inesperada de inspiração. Ideias são como os feijões que a gente plantava no algodão quando tava no prézinho, twittei agora à pouco. Dispensa explicações. Essa é a graça da arte: onde todos enxergam um feijão, o artista vê uma metáfora.
 É uma atividade solitária, escrever. Ultimamente, tenho conhecido outras garotas que escrevem e com quem posso me identificar. Ter amigas que entendem isso como um prazer, como eu, dá uma motivação a mais, faz eu me sentir um pouco mais a vontade, embora eu tenha feito isso por anos. 
 Tenho poucas certezas sobre as escolhas que terei de fazer nos próximos anos, mas estou certa de algo: quero escrever a vida toda, não importa o que mais eu faça. Sim, é claro que terá mais, pois preciso viver e aprender muito além do que posso visualizar agora. 
 Quero escrever com a mesma esperança e sinceridade com que Anne Frank escreveu seu diário, com a perspicácia e inteligência de Jane Austen, com o amor com que meus autores preferidos, os clássicos, os recentes, as blogueiras que acompanho, escreveram, escrevem e procuram melhorar. 
 Mais do que tudo, quero viver uma história incrível, que mereça ser contada, que seja uma inspiração para as pessoas assim como as histórias dos meus melhores exemplos - começando por meus pais, pois estou sempre vendo exemplos em muita gente. Na verdade, acho que todos que conhecemos uma hora ou outra durante nossa vida podem nos ensinar alguma coisa, porém precisamos estar atentos à eles. Por isso precisamos de sensibilidade, e com isso quero dizer não ser indiferente às outras pessoas. Sensibilidade é observar, sentir e pensar, refletir e criticar. Ser sensível é admirar e valorizar as pequenas coisas.
 Foi difícil escolher como começar, mas sei como terminar. Com a sensação de saber que encaixei minhas frases soltas em um texto que expressa algo muito simples, que não posso correr o risco de esquecer: escrever é sonho, refúgio e liberdade. 
 Don't only practise your art. But force your way into its Secrets. For it and knowledge can raise men to the Divine. - Ludwig van Beethoven.

 (Não apenas pratique sua arte. Mas force seu caminho entre seus Segredos. Por isso e conhecimento os homens podem elevar-se ao Divino.)