O Doador de Memórias - Louis Lowry

Boa tarde!

Até o fim do mês de fevereiro pretendo colocar todas as resenhas em dia, então se preparem para muitas críticas e sugestões de livros! Na verdade era isso o que eu deveria ter feito durante as férias (mas estava ocupada lendo, rs).
Hoje resolvi não deixar para amanhã o que posso fazer agora, já que acabo de terminar O Doador de Memórias, primeiro volume da série O Doador, que foi adaptado para o cinema ano passado.

Capa do filme
Sinopse:
Em O doador de memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.
Skoob
 - Poder escolher é que é importante, não é? - perguntou o Doador. - Pág. 102
Opinião:
Por ser um livro curto, de apenas 190 páginas, e possuir uma linguagem simples, li em dois dias, praticamente de uma vez só. A história é cativante e tudo o que você sente é vontade de prosseguir e ver o que acontece. Quer dizer, tudo não.
Por ser uma distopia, a sociedade em que o protagonista vive é muito diferente da nossa e aparentemente perfeita. Não há violência, conflitos e nem mesmo dor, mas por outro lado também não existe amor, cor ou música. A vida na comunidade é previsível, estritamente organizada e planejada, sempre igual. As famílias são planejadas de acordo com os Anciãos, que são como os governantes da comunidade, portanto ninguém escolhe seu cônjuge ou filho: as unidades familiares são compostas pelo pai, mãe, um menino e uma menina. A rotina também é cheia de regras, como a obrigação de falar sobre seus sonhos com a família ao acordar de manhã e de tomar uma pílula para reprimir o desejo a partir de certa idade. Durante os primeiros doze anos de vida de cada indivíduo, cada ano tem uma cerimônia especial na qual eles ganham algo que os distingue das outras faixas-etárias, por exemplo, aos Nove todos ganham uma bicicleta, que é seu meio de locomoção. A cerimônia mais importante, porém, é a dos Doze. A partir daí, cada um passa a ser treinado de acordo com a área para qual os Anciões reconheceram que tem aptidão.
Ao chegar aos Doze, o personagem principal, Jonas, é escolhido para ser o Recebedor de Memórias, que é único na comunidade, sendo aquele que mantém as lembranças do passado da humanidade, tanto as boas quanto as ruins. O tutor de Jonas é chamado de Doador. Durante a narrativa o Doador transmite a Jonas as memórias do que existia, e o garoto passa a questionar a sociedade atual que vive na Mesmice. Ele não pode compartilhar essas lembranças com ninguém, e é doloroso ser o único capaz de ver as cores (e aprender seus nomes), de saber o que são os sentimentos e o poder das memórias. Depois disso, não posso mais contar nada sem dar spoiler.
A história é muito interessante e chega até a chocar o leitor em alguns momentos. Como seria nossa realidade se não pudéssemos fazer escolhas na vida e, o pior, se não tivéssemos sentimentos, não soubéssemos o que é amor? E se a vida fosse preto e branco, sem música, sem obstáculos, planejada para ser perfeita, mas sempre igual? Esses questionamentos e os métodos utilizados pela comunidade par manter tudo em ordem levam a uma reflexão sobre o quanto nossas lembranças e sentimentos são importantes, praticamente vitais para a felicidade.
A série O Doador possui mais três livros, por isso o final do livro deixou uma grande lacuna ainda a ser preenchida. Apesar de ficar impressionada e interessada pela criatividade da autora, não foi um daqueles livros que me deixaram super animada, então dei três estrelas no Skoob. Agora quero ver o filme, que parece muito bom apesar de que pelo trailer parece bem mais incrementado que o livro (e o começo do trailer me lembra Divergente haha).
Falando de outra distopia, por favor: não comparem O Doador com as sagas atuais, pois esse livro foi publicado pela primeira vez nos anos 90. Só para aqueles que tem mania de achar que certo autor copiou sua série preferida. ;) Gente, temos de ser abertos a novidades!

Nota: 7,0

- Vocês me amam? 
Seguiu-se um silêncio embaraçoso por um momento. Então o Pai deu uma risadinha.
- Jonas, logo você! Precisão de linguagem, por favor!
- Como assim? - perguntou Jonas. Risadas não eram absolutamente o que havia esperado.
- Seu pai está querendo dizer que você se expressou de forma muito generalizada,com uma palavra tão sem sentido que já tornou quase obsoleta - explicou-lhe a mãe em tom cuidadoso.
Jonas os fitou. Sem sentido? Ele nunca havia vivenciado nada mais significativo e tão cheio de sentido do que aquela lembrança.
- E é claro que nossa comunidade não pode funcionar direito se as pessoas não usarem uma linguagem precisa. Você poderia perguntar: "Vocês gostam de mim?" A resposta é "Sim" - disse sua mãe.
- Ou, então - sugeriu o pai - , "Vocês se orgulham dos meus talentos?". E a resposta é, com toda convicção, "Sim".
- Compreende por que é inconveniente usar uma palavra como "amor"? - perguntou a Mãe. 
                                                                                                                   - Pag. 131/132
Ficha técnica:
Título: O Doador de Memórias

Título original: The Giver

Autora: Louis Lowry

Editora: Arqueiro

Nº de págs.: 190


Filme:
Diretor: Phillip Noyce 

Elenco: Brenton Thwaits (Jonas), Cameron Monaghan (Asher), Odeya Rush (Fiona), Jeff Bridges (O Doador), Meryl Streep (Anciã Chefe), Taylor Swift (Rosemary).

Trailer:

Já leu ou assistiu ao filme? Comente o que achou! Sou aberta a todas as opiniões!

3 comentários:

  1. Esse quote que você colocou no post foi o que mais me chocou, tipo, como pode isso? Mas esse livro também não me cativou muito, mas como eu falei na minha resenha, acho que foi por causas das minhas grandes expectativas, após ter visto o trailer. Mas é uma ideia bela e que nos faz pensar na vida, para darmos mais valor ao que temos e o filme conseguiu retratar isso muito bem. Mas não se engane, o livro não acrescenta muita coisa à história, apenas a transporta para as telas, não é bem como mostrado no trailer, um filme cheio de ação e aventura. Mas eu gostei bastante da adaptação, mas, claro, após ter me conformado que era muito parecida com o livro... Vale assistir, mas sem expectativas erradas, hein?! Haha.

    Bjs, Raquel.

    P.S: Sim, a música do Jake é maravilhoooosa! AMO! Inclusive, acho que vou ouvir ela agora... E já li seu e-mail, vou te responder mais tarde, obrigada por me enviar a coluna, gostei muito! :D

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    Respostas
    1. Haha, ok, vou assistir mesmo assim para comparar ;D
      Ainda bem que gostou da coluna, estarei aguardando o e-mail!

      Bjs, Bia

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  2. Oii, eu pretendo comprar esse livro(esse e um monte) não assisti o filme ainda porque prefiro antes ler o livro.
    Estava com saudades, tanta coisa acontecendo precisava de abrigo e quem melhor que os textos
    Bjs♡

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