Mansfield Park - Jane Austen [Livro do Mês: Janeiro]

Oiê!

Desde outubro eu venho escolhendo o livro do mês como o melhor que li no determinado mês (isso é bem óbvio, mas antes eu fazia diferente... sei lá porquê), exceto em dezembro, que esqueci dessa coluna :b
Enfim, o livro que encantou meu janeiro foi Mansfield Park, da Jane Austen, portanto hoje eu o apresento a vocês! (Pulei a resenha de Persuasão, mas só por enquanto!)

Sinopse:
Aos 12 anos de idade a jovem Fanny passa a morar de favor em Mansfield Park, a casa do esposo de sua tia, Sir Thomas Bertram. Inteligente e estudiosa, ela logo se torna amiga de seu primo Edmund, o filho mais novo de seus tios, apesar de ser sempre destratada por seu tio e pelas suas primas fúteis. Com o passar do tempo Fanny se torna uma bela mulher, que acaba chamando a atenção de Henry Crawford, jovem que se tornou recentemente seu vizinho juntamente com sua irmã, Mary. Notando o interesse de Henry por Fanny, os tios dela logo promovem um encontro entre os dois para logo depois se sentirem revoltados com o desprezo que a jovem demonstra pelo seu novo vizinho.
Skoob

Opinião: 
Já vi, por alguns comentários lidos na internet, que Fanny Price talvez seja a protagonista menos amada e aclamada pelos leitores de Jane Austen, e que Mansfield Park é considerada sua obra menos importante. Devo dizer que discordo completamente de tais opiniões. Embora eu ainda esteja há uma obra de completar minha coleção da autora e não tenha decidido qual de seus livros é meu preferido, com certeza Mansfield Park ganhou meu coração.
Fanny é tímida, quieta, sensível, gentil e frágil. Veio de uma família muito numerosa e pobre, na qual era a filha mais velha, junto com seu querido irmão William, uma das pessoas que mais ama no mundo. Aos dez anos, foi adotada pelos tios, que se viam na obrigação de aliviar a mãe tão cheia de filhos de uma de suas crianças, enquanto eles mesmos eram ricos. Seus tios são Sir Thomas Bertram e sua esposa Lady Bertram, e a sra. Norris. Embora a ideia da adoção tenha sido da última, que não tinha filhos, ela largou Fanny com os tios, mas nunca perdeu a oportunidade de colocar a pobre menina em seu lugar, abaixo das primas Maria e Julia e primos Tom e Edmund, humilhando-a e fazendo com que se achasse ainda mais indigna de atenção do que já se considerava.
A única pessoa que reconhecesse seu valor é o gentil Edmund, que percebe na pequena prima uma grande inteligência e nobreza de coração e torna-se seu melhor amigo e, à medida que ela cresce, conquista também seu amor secreto, que ela guarda sem nunca ter coragem de demonstrar.
 "Todos os momentos tem seus prazeres e suas esperanças."
A tia Bertram é uma mulher completamente dependente do marido para tomar qualquer decisão, distraída, sem opinião própria e bem sem graça, apesar de bondosa. A sra. Norris, ao contrário, é ativa e autoritária, gosta de ser útil ao cunhado, atribuindo a todos os seus sucessos grande parte de sua opinião, tem uma grande preferência por Maria Bertram. Maria e Julia são moças muito prendadas, educadas, ricas e de grande beleza. Das duas, aquela que trata Fanny um pouco melhor é Julia, mas Maria é quase indiferente à prima. Tom é um preguiçoso, leva uma vida imprudente de esbanjamento e diversão que o leva a criar dívidas e mais dívidas, para a irritação do pai. Já Edmund é a alegria de Sir Thomas: prudente e estudioso, pretende ser ordenado em breve e tornar-se clérigo.
O desenrolar dos acontecimentos foca nos sentimentos de Fanny e em suas impressões sobre eles. É difícil para mim descrevê-la por completo, acho que me identifiquei muito com ela em geral. Ela é considerada sem graça por ser tão obediente e gentil até com quem não gosta, como se não tivesse opinião própria. Mas ela tem, embora tenha medo de ser ingrata ou arrogante em demonstrá-la. Das outras heroínas de Austen, a que mais se assemelha a ela é Anne Elliot, de Persuasão.
Mary e Henry Crawford são o sal da história, pode-se dizer. A chegada deles a Mansfield mexe com os sentimentos dos Bertram. Mary é bem vista por todas, sendo bonita, bem educada e inteligente, mas tem a língua afiada e expressa tudo o que pensa, ao contrário da reservada Fanny. Seus encantos acabam por fisgar Edmund, e embora ela se sentisse mais atraída inicialmente por Tom, acaba retribuindo sua afeição. E sofre Fanny. Mary pode não ser insuportável, mas não gostei dela. Cúmplice do irmão e de amizade duvidosa, nunca soube se podia confiar nela ou não. Seu irmão, Henry, comparo mentalmente com Willoughby, de Razão e Sensibilidade. Apaixonado ou não, nunca o aprovei.
A época em que Fanny passa com a família é uma das quais ela mais amadurece, eu diria. Seu sofrimento parece não ter fim durante o livro todo, e nessa parte senti com ela a decepção, as saudades, a dor. A relação dela com William é uma das mais belas e a que mais a alegra.
Apesar de parecer tão insignificante para alguns leitores, quanto mais o fim do livro se aproxima mais percebemos o quanto ela é importante e insubstituível em Mansfield Park, o quanto sua bondade consola a todos como ninguém mais pode fazer.
Mansfield Park não tem a mesma quantidade de personagens das outras obras de Austen, mas todos são bem caracterizados. Sua ironia usual se faz notar, assim como as críticas à falsidade e às uniões por interesse material de sua sociedade. 
"Ela não se divertia ao observar o egoísmo que, disfarçado, parecia governar a todos e costumava se perguntar como tudo isso ia acabar."
O fim tem suas reviravoltas surpreendentes que nos fazem amar Jane. Aceito que o fim de Fanny foi descrito muito rapidamente, onde podia ter sido mais detalhado, mas como escreveu Jane:

“Abstenho-me de propósito de citar datas nessa ocasião, deixando todos em liberdade para fixarem suas próprias, conscientes de que a cura de paixões inconquistáveis e a transferência de ligações sentimentais imutáveis devem variar muito, como o tempo, em diferentes pessoas." - pág. 561

As opiniões sobre o final são as que mais divergem entre os leitores, ou porque acharam que Fanny não o merecia ou por que o merecia, mas um pouco diferente (difícil não dar spoiler aqui). Sinceramente, eu fiquei muito feliz com o final, apesar de triste por ter de me despedir de uma história tão amada!
"Pois o tempo sempre se impõe entre os planos e as decisões dos mortais, para o seu próprio aprendizado e entretenimento dos próximos."
Nota: 10,00

Ficha técnica:

Título: Mansfield Park

Autora: Jane Austen

Editora: Martin Claret

Nº de págs.: 576

"Uma tendência para a leitura, apropriadamente dirigida, deve ser educativa por si mesma."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Atenção:
Comentários com palavras inadequadas ou ofensivas serão deletadas.

© Minhas Leituras - 2010-2016. Todos os direitos reservados. Blog e layout por Beatriz Teixeira. Desenho do cabeçalho: Gisele Dias.

Tecnologia do Blogger.
imagem-logo