Crônica: A Biblioteca

We <3 It
A Biblioteca

Por volta de meus nove ou dez anos, comecei a fazer um tratamento de alegia, que consistia, inicialmente, em tomar uma vacina por semana. Para isso, minha mãe levava-me ao posto de saúde do nosso bairro, que era perto de casa. Apesar de não ser muito agradável, nunca reclamei. E foram essas idas ao posto que me apresentaram um outro lugar maravilhoso.
Depois de sentir a leve agulha da injeção em meu braço, minha mãe, eu e meu irmão menor nos dirigíamos ao parque ao lado do posto. Era, e ainda é, um lugar não muito bem-cuidado, apesar de grande. Mas não era o parque em si que nos interessava, e sim a biblioteca que descobríramos dentro dele.
A tal biblioteca era pequena e estava sempre vazia, exceto pela bibliotecária. Tinha estantes simples de metal, que dividiam os livros por faixa etária, pelo que me lembro. Eu me dirigia à área dos infantojuvenis e ficava investigando os livros com minha mãe. Ela me ajudava a escolher alguns para pegar emprestado e geralmente também selecionava algum para ela. Assim, depois de termos feito nossa carteirinha onde a bibliotecária marcava os livros que tínhamos pegado, mostrávamos-os para ela e voltávamos para casa. Ao longo da semana, eu lia sobre várias aventuras diferentes, ou minha mãe lia para mim. Então, na semana seguinte, voltávamos ao posto e à biblioteca, onde devolvíamos os livros e escolhíamos outros. Essas obras eram minha recompensa, embora eu nunca reclamasse da injeção.
Ao longo dessas semanas, através de prateleiras de metal cinza onde repousavam partículas de poeira, conheci personagens inesquecíveis, com Pollyanna, Heidi, Tom Sawyer e Huckleberry Finn, com quem vivi muitas aventuras. Adentrei o Jardim Secreto e investiguei crimes e mistérios dentro dos livros de Marcos Rey que eu não tinha em casa. Passei a anotar numa folha os livros que lia, para nunca esquecer, quando eu ainda não sabia usar uma rede social para isso. E, quando eu já tinha visitado quase todos os livros da minha faixa-etária da pequena biblioteca, precisei parar de frequentá-la porque os livros envelhecidos e empoeirados prejudicavam minha alergia. Mas aí meu coração já carregava muitas histórias que nunca me abandonaram.

We <3 It
***

P.S.: escrevi essa crônica para uma redação da escola a dois meses e gostei do resultado. Essa é uma lembrança muito valiosa para mim, porque os livros que eu li lá ficaram entre os que mais marcaram minha infância. Estou planejando um post com os melhores livros que li nessa época, o que acham?
Agora que existe o Skoob (e não preciso mais anotar minhas leituras numa folha, haha), para ver mais destes livros, siga-me lá! Meu perfil: http://www.skoob.com.br/usuario/428609-bia

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