Orgulho e Preconceito - Jane Austen

Oi!!

A resenha de hoje é de um clássico da literatura inglesa, um romance de época (século XVIII, mais precisamente) que continua a encantar os leitores de todas as gerações.
Estou particularmente satisfeita por ter lido Orgulho e Preconceito por dois motivos: 1) Apaixonei-me pela obra de Jane Austen desde que li Emma há menos de um mês atrás, portanto estava ansiosíssima para ler outro romance dela, que me encantou assim como o primeiro; 2) Li a obra no original, em inglês, já que era única versão que tinha aqui em casa. Como foi o primeiro livro de tamanho razoável que li em inglês, no início estava um pouco hesitante, mas aceitei o desafio e mergulhei na leitura com lápis e papel do lado para anotar o vocabulário novo. Agora, duas semanas depois, acabou sendo uma experiência enriquecedora e muita divertida!

Certo, então vamos à resenha!

(A resenha contém spoilers!)

Da coleção Jane Austen da Martin Claret
Sinopse:
Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.
Skoob
***
 A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós.
Edição que li: Editora Penguin Books

Elizabeth Bennet foi a heroína preferida de Jane Austen, com razão. Lizzy é a segunda das cinco filhas e a preferida do pai, porém a menos preferida da mãe pelo seguinte motivo: além da beleza, é uma mulher inteligente, prudente e alegre, e seu caráter não contém a futilidade e vaidade presentes em muitas mulheres da época, incluindo suas irmãs mais novas. A ambição de Elizabeth não é casar-se por nenhum interesse além do verdadeiro amor, ao contrário de sua mãe, de quem o maior objetivo é casar as cinco filhas com homens que tragam benefícios financeiros para a família. Esse tipo de comportamento é criticado e ilustrado ironicamente durante a história.

A fiel confidente da protagonista durante todo o enredo é sua irmã mais velha, Jane, sensata e gentil, tentando sempre ser imparcial e agradar a todos. Ela é uma personagem tão agradável quanto Lizzy, embora não tenha sua vivacidade. Por ser a mais velha, é nela que se concentram as maiores esperanças de casamento, principalmente com a chegada de dois jovens e belos homens na vizinhança.

Os dois homens são amigos próximos: o sr. Bingley, que traz consigo sua irmã e o sr. Darcy. Bingley logo é visto com bons olhos por toda a vizinhança, por seu jeito cortês e amigável. Porém, o sr. Darcy é logo classificado como orgulhoso, já que, apesar de igualmente educado e bonito, raramente fala com alguém a não ser que seja questionado. Bingley e Jane logo estão se dando bem e sentindo os sintomas do amor.
Outro homem que aparece na vida dos Bennet é um primo distante, sr. Collins, futuro herdeiro de Longbourn (casa dos Bennet). Seu principal objetivo em visitar os parentes é desposar uma das belas irmãs. No decorrer dos acontecimentos, porém, ao ser recusado por Elizabeth, ele acaba se casando com uma amiga dela, apesar de mal conhecê-la. O sr. Collins é um dos personagens mais (propositalmente) irritantes, na minha opinião. Que cara chato!
Elizabeth, na verdade, estava mais interessada no belo sr. Wickham, um oficial. Ele tem antigas desavenças com o sr. Darcy, de modo que este cai cada vez mais no desinteresse de Lizzy, enquanto o oficial é cada vez mais estimado.
Enquanto isso, o sr. Darcy começa a prestar cada vez mais atenção na protagonista, apesar de ter feito pouco caso dela quando a viu pela primeira vez:“Ela é tolerável, mas não bela o bastante para me tentar."
Misteriosamente, Bingley resolve deixar Netherfield e voltar para Londres, justo quando parecia que ele iria pedir Jane em casamento. Lizzy desconfia que foi influenciado pela arrogante irmã e por Darcy, já que são ricos e a família Bennet seria de uma classe um pouco mais baixa. Porém, antes de irem embora, Darcy propõe casamento à própria Elizabeth:
Em vão tenho lutado sem sucesso. Deve permitir que eu te diga o quão ardentemente te admiro e te amo.
Obviamente, a surpresa jovem recusa, já que ela não tinha nenhuma estima por Darcy e até mesmo seu pedido de casamento foi feito em tom orgulhoso. No dia seguinte, ele lhe escreve uma carta esclarecendo a verdade sobre o que ela ouviu por parte de Wickham e sobre a interferência no relacionamento de Bingley.
A partir daí, a história se desdobra de modo que Elizabeth tem que lutar para superar seu preconceito contra Darcy e compreendê-lo, assim como ele passa a combater seu orgulho e ter esperança de que um dia ela o ame.
Há muitas outras reviravoltas na história, como a fuga de imprudente Lydia (outro personagem propositalmente irritante), irmã mais nova de Lizzy, com um oficial da guarda e as revelações sobre o verdadeiro caráter de Wickham.
Os personagens são MUITO bem construídos e a leitura é fluída, repleta de diálogos interessantes e filosóficos, em especial aqueles que envolvem Elizabeth e Darcy, que no início estão sempre argumentando. Também adorei a conversa entre Lady Catherine e Lizzy quase no final do livro, onde nossa heroína mostra o quanto é decidida e sensata. Os fatos acontecem sucessivamente, prendendo nossa a atenção ao livro. Você se chateia, alegra e surpreende com Elizabeth.
O desfecho é o final feliz que todos esperamos para a protagonista e os demais personagens a quem nos afeiçoamos, como Jane, mas sem ser romântico ou açucarado demais, é romantismo na dose certa.
Aliás, algo que gostei bastante tanto nesse livro quanto em Emma, é que o final não é previsível desde o começo do livro, na verdade quando você começa a ler não dá pra saber como vai terminar. E mesmo que a partir de certo ponto já dê para ter uma visão superficial do desfecho, você precisa saber como se chegará a ele.
A obra é um perfeito quadro de caracterização do caráter humano e crítica a certas personalidades, e apesar de ser ficcional e escrita há muito tempo, permanece atual e realista.
Portanto, esse clássico eu posso recomendar sem hesitação, vá em frente e leia!
— Não posso fixar a hora ou o lugar. Isto já foi há muito tempo. Eu já estava no meio e ainda não sabia que tinha começado.
Nota: 10,00

Estou apaixonada pelos livros de Jane Austen e, inclusive, comprei uma edição 3 em 1 da Martin Claret que vem com Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito (claro que vou reler agora em português!) e Persuasão. Não vejo a hora de lê-los! (E tipo, essa edição 3 em 1 era o mesmo preço de um único desses livros!)

Ficha técnica:
(Recomendo: edição da Martin Claret - Coleção Jane Austen vol. 2)


Título: Orgulho e Preconceito
Autora: Jane Austen
Tradução: Roberto Leal Ferreira
Editora: Martin Claret
Nº de páginas: 480
Adaptações cinematográficas:
(1940) Orgulho e Preconceito, estrelado por Greer Garson e Laurence Oliver;
(2005) Orgulho e Preconceito, estrelado por Keira Knightley (indicada ao Oscar) e Matthew Macfadyen.


Já leram? O que acharam do livro e da resenha?
Deixem suas opiniões aí nos comentários :)

7 comentários:

  1. Tenho muita vontade de ler um livro da autora! Todos falam muito bem dos romances que é impossível não criar curiosidades a cerca deles. Orgulho e Preconceito parece o melhor de todos. Parabéns pela conquista de ler em inglês, estou lendo O Pequeno Príncipe no idioma original e me sinto surpresa com meu conhecimento do vocabulário, eu não sabia que sabia tanta coisa. É legal, né?

    Bjs, Raquel.

    morethanaworld.blogspot.com.br

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    1. P.S.: Você está lendo O Guia do Mochileiro das Galáxias?!!! Espero que você goste, não é um livro convencional, mas é brilhante!

      Bjs!

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    2. Obg! É sim muito legal ver o quanto a gente sabe!
      Acabei de ler O Guia... ontem, e realmente não é nada convencional! Mesmo assim gostei, em breve farei a resenha.

      Bjs, Bia

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  2. Amo este livro, é um dos meus preferidos desde sempre. Mr. Darcy faz a gente suspirar, principalmente nas últimas partes do livro. Gostei da sua resenha, embora tenha muitos spoilers para quem não conhece a história.
    Beijos!

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    1. É verdade, o Mr. Darcy é maravilhoso!
      Vou colocar um aviso sobre os spoilers, obrigada pelo aviso (estava em dúvida sobre colocar ou não...)

      Bjs, Bia

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  3. Adoro os livros da Jane, Bia!! Meus preferidos são esse e Razão e sensibilidade. Você já assistiu os filmes? Eu gosto bastante <3

    Bjs!
    Laila Lizzy
    Ps: o Lizzy do meu pseudônimo é em homenagem a como o pai da Elizabeth chamava ela :D

    escritoriando.com

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    1. Que legal, Laila! Seu pseudônimo é muito fofo! Ainda não vi os filmes, mas pretendo vê-los depois de ler Razão e Sensibilidade e Persuasão :)

      Bjs, Bia

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