#Coluna - O que passou prepara para o que virá


Por algum tempo tenho tentado escrever sobre esses primeiros meses do ano. Quando vi, já metade do ano se fora, e agora, até mesmo as férias se aproximam do fim. Talvez houvesse muito barulho em minha mente para que os pensamentos se organizassem em palavras. Foi um período de adaptação, novidade e saudade. Não posso dizer que foi fácil, mas sei que valeu a pena e que avancei um pouco em minha experiência de vida. Nada aconteceu de tão de extraordinário que tenha me surpreendido totalmente, e nada foi tão difícil que tenha me quebrado. Agora, parece bobagem, mas ainda sinto a importância desse curto período de alguns meses.

Como tudo aquilo que é de alguma importância para mim acaba tomando forma em palavras escritas, uma hora ou outra, esses últimos meses também precisavam ser registrados. Guardo minhas lembranças em palavras porque nem sempre há objetos específicos para guardar em minhas gavetas ou caixinhas, o que é até bom, já que quase não há mais espaço para esse tipo de coisa no meu quarto. Ou porque meus pensamentos apenas escoem para um texto feito água.

A questão é que ontem, depois de muito tempo, sentei e tive uma longa conversa com meu diário, um monólogo, como de costume, que não terminou até que fossem preenchidas seis ou sete folhas. Obviamente, não foi o suficiente para rabiscar detalhes ou aprofundar-me em todos os assuntos necessários, mas englobou tudo o que era mais importante, e agora sei que essas memórias estão a salvo, e o que não foi escrito pode ser facilmente despertado pelas palavras-chaves que formaram o breve conteúdo que tentava esclarecer seis meses em seis folhas.

É claro que também há pedaços, frases, textos avulsos que foram se acumulando ao longo desse semestre, e eles são, provavelmente, uma parte mais viva do retrato que ontem tentei pintar às pressas. São frutos frescos do instante em que o coração sentia, a mente pensava e o corpo vivia. Refletir sobre o passado não é o mesmo que estar vivendo no presente.

Porém, pensando no que era essencial a ser registrado naquelas páginas, resolvi que as principais impressões e emoções passados no espaço de tempo já citado se resumem no seguinte:

Saudade. "A ausência é uma presença dolorosamente silenciosa", escrevi um dia. Essa frase surgiu em minha mente nascida do coração, e descreve muito bem a saudade que duramente me retribuiu em troca de anos de amizades vividas de perto. As saudades foram constantes e difíceis de suportar. Sei que esse sentimento será sempre constante e cada vez maior ao longo dos anos, mas estou mais acostumada a ele, estou aprendendo a conviver com ele.

Novidade. As maiores foram as pessoas que conheci e com quem devagar, comecei novas amizades. Houve mais, mas para minha timidez, nenhuma novidade é mais difícil para que eu me adapte do que construir relações com novas pessoas.

Adaptação. Os dois aspectos acima dificultaram este. Precisei de coragem, e da referência de meus antigos amigos, que nunca o deixaram de ser, para não permitir que a tristeza me envolvesse e adaptar-me alegremente ao novo. Acho que sempre fui muito apegada ao que já passou, embora não devesse. Foi assim dessa vez, mas nada voltará de qualquer forma, então não posso perder tempo lamentando a passagem do tempo. Quem mais me ajuda com tudo isso, e com tudo o mais que há na vida, é Deus, pois sem ele, eu não seria nada e minha força de vontade desapareceria.

Também muitas vezes senti-me só em meio a várias pessoas, pois queria estar junto de outras. Então aprendi a ampliar meu horizonte para conhecer aqueles que estavam perto de mim, e os momentos de solidão diminuíram. Vi que os períodos de ausência daqueles que eu já amava faziam os momentos de presença ainda melhores, e permitiram que eu conhecesse aqueles a quem passei a amar mais recentemente. E, acima de tudo, fizeram-me sentir que nunca estou de fato só porque Jesus jamais me deixa e jamais deixará.

Muitos outros sentimentos passaram por mim, ficaram ou desapareceram, mas existiram. Agora sinto-me mais preparada para começar de novo o ciclo - por um mês interrompido- de provas, estudos, e tudo o mais. Não, isso nunca assustou-me. Corrigindo-me, estou mais preparada para ir e ser o mais feliz possível, como sempre fui, apesar das saudades, dos compromissos, da rotina e das condições. Aprendi muito nesses últimos meses, e agora sigo em frente confiante, contente, e grata pela minha vida.

Beatriz F. T.
25/07/2014

3 comentários:

  1. Oi Bia!! Parabéns pelo texto! Muito bom! A cada dia a gente aprende uma nova lição, mesmo que ela seja bem simples e temos que entender que nem tudo é perfeito. Nós aprendemos e nos adequamos às novas situações! Muito bom saber que está sabendo lidar com tudo a sua volta! Está crescendo! Que continue assim, para melhor e realize o máximo de sonhos possíveis! Nunca deixe de sonhar e ter metas!!

    Beijinhos
    Mirelle - meumundoemtonspasteis.com

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    1. Muito obrigada!! Realmente, ultimamente estou aprendendo muito e tentando me adequar rsrs'

      Bjs, Bia

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  2. Biazinha, que lindo!!!
    Até me emocionei, muito lindas as suas palavras, consegui captar cada sentimento e cada emoção que suas palavras carregam...
    Há momentos decisivos em nossas vidas...e este período foi mais um vencido de muitos que virão, mas o "novo" sempre abre espaço...e vai lentamente se instalando...este é o ciclo da vida...te amoooooo "tamo junto e misturado" beijos

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