Resenha: Batendo à Porta do Céu - Jordi Sierra i Fabra

Como eu havia comentado, aqui está minha resenha da cativante história de Batendo à porta do céu, de Jordi Sierra i Fabra.
“A vida era fantástica: era preciso passar por ela, sempre em frente.
Era preciso vivê-la.
Era o que estava fazendo”.

Sinopse:
Uma jovem estudante de medicina decide abrir mão de seu conforto, de sua família e de seu namorado para trabalhar como voluntária em um hospital na Índia, durante as suas férias de verão. Em sua jornada, Sílvia conhece as peculiaridades de um país muito diferente do seu, convive com a pobreza e conhece pessoas que se tornarão muito especiais e importantes em sua vida, como o voluntário Leo, a médica Elisabet Roca, as pequenas Viji e Narayan e o misterioso Mahendra. Inspirado em um caso trágico de uma voluntária espanhola, Batendo à Porta do céu expõe as reflexões da jovem Sílvia ao se deparar com a precariedade da infraestrutura indiana, as perdas, o medo e si própria. Sílvia mergulha em um momento de autoconhecimento, em que se questiona sobre o amor e suas variações, sobre a importância do apoio da família e sobre o valor da vida. Sua vontade de evoluir como médica cresce, ao mesmo tempo em que suas convicções vão sendo fortalecidas. De forma cativante, o autor Jordi Sierra i Fabra sensibiliza o leitor com suas indagações, e também com a realidade indiana, que se contrasta tanto com a vida da jovem espanhola.
Skoob

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A protagonista de Batendo à porta do céu é Sílvia, uma espanhola estudante de medicina que vai passar um ano na Índia trabalhando como voluntária no hospital RHT. Apesar de ser filha de ricos pais médicos e ter todo o conforto que pode-se desejar, Sílvia sai em busca de seus ideais e de seu crescimento como médica em um país completamente diferente do que ela conhece, ainda que contrariando o pai e o namorado, Arthur.

“Muda as pessoas. Dos pés à cabeça. A Índia é poderosa, se cuide. Mais ainda se você é vulnerável.”

Sílvia sente a diferença cultural logo na chegada, mas é muito bem recebida pela médica Elisabet Roca, que lhe apresenta o RHT, e por Viji, uma adolescente indiana que também trabalha no lugar e se torna sua amiga, assim como a irmã mais nova, Narayan. A voluntária conhece também Lorenzo Giner, cirurgião, e Leo, voluntário como ela, que ao contrário dos outros a recebe com frieza e desconfiança, tomando-a por uma garota mimada.
A voluntária não se deixa abater por falta de recursos, precariedade, diferenças culturais ou pela distância que a separa de casa, e trabalha com vontade pelo que acredita, fazendo tudo o que pode para salvar o mundo que está a seu alcance. Pouco a pouco, vai conhecendo mais e mais sobre a cultura indiana, mudando o seu olhar ocidental sobre as coisas.


“Às vezes a solidão ajuda. A pessoa fica frente a frente consigo mesma.”

Ao longo da narrativa, Sílvia se torna muito próxima de Elisabet e Lorenzo, que a apoiam e ajudam como pais. Viji e Narayan são suas sombras amigas, e Sílvia aprende muito com elas. Aos poucos, ela mostra a Leo que realmente está ali porque acredita em seu trabalho, não por capricho, e os dois iniciam uma amizade verdadeira.
Outro personagem muito importante é Mahendra, um indiano viúvo, dono das terras do RHT, que mora do outro lado do lago em frente ao hospital. Fascinada por sua história, de como se conserva isolado do mundo desde a morte de sua esposa e filhos, Sílvia vai até sua mansão, conhece-o, e é convidada a visitá-lo mais vezes, sendo a primeira pessoa a ter contato com ele em anos. Assim, o oriental e a ocidental também iniciam uma bela amizade, e Sílvia passa a vê-lo além de sua história encantadora, como homem e como amigo.
No decorrer dos acontecimentos, Sílvia mantém contato com a família por telefone, mas evita falar com o pai. Ela escreve para Arthur por e-mail, questionando-o sobre seu amor e seu relacionamento. A todo o momento reflete sobre as diferenças do amor de Arthur, Leo e Mahendra, sobre a importância de sua família, as diferenças entre sua vida ocidental e a realidade indiana.
As cenas se passam numa sequência bem organizada e equilibrada. As cenas do hospital são realistas e emocionantes. Aliás, apesar de ser uma obra de ficção, a narrativa é realista, não uma ilusão que mostra apenas as belezas da Índia, mas toda a sua complexidade. Personagens importantes marcam a vida de Sílvia no hospital, e ela aprende a encontrar força nas mortes e incentivo para cuidar de mais vidas.

“Sentia com a mesma intensidade o peso da nostalgia e a alegria da volta. Seu coração estava dividido. Sua mente também. Olhava para trás e já não via os mortos pelos quais não pudera fazer nada no hospital, via os vivos aos quais tinham aberto a porta do futuro.”

Por trás de cada personagem há uma história e uma reflexão. A narrativa é simples, porém profunda, interessante e bela, nos levando a conhecer a singular Índia e a diversas reflexões.
Batendo à porta do céu superou minhas expectativas, recomendo para todos. Muito bom!
A edição da Biruta é ótima. Amei a estrutura do livro e não me lembro de nenhum erro de revisão. 
Enfim, leiam o livro, porque faz a diferença.

Nota: 10,00

Ficha técnica:
Título: Batendo à Porta do Céu
Autor: Jordi Sierra i Fabra
Editora: Biruta
Nº de páginas: 312
Veja o livro por dentro no site da editora: http://www.editorabiruta.com.br/livro/batendo-a-porta-do-ceu/

Gostaram da resenha? Eu imploro, leiam o livro para discutirmos sobre ele! Comentem suas opiniões!

“O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito comprido para os aflitos, muito curto para os alegres, mas, para os que amam, o tempo é uma eternidade”, disse alguém certa vez.”

3 comentários:

  1. Biazinha, vou querer ler, fiquei encantada!!!
    Beijos

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  2. Estou curiosa com esse livro! A história parece legal pelo que vi na sua resenha e além disso recebeu nota 10 sua! E achei linda a capa!

    Bjs, Raquel.

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