Relendo - O Diário de Anne Frank

Olá!

Reler um livro é viajar de novo por um território conhecido. Quando você relê um livro, depois de um tempo, embora a história continue igual, você já mudou de alguma forma. Então, sempre que relemos um livro podemos descobrir e aprender mais com ele.
Eu sou o tipo de pessoa que gosta de reler os livros que mais gosta frequentemente. Você se surpreenderia com a quantidade de vezes que já li a saga Percy Jackson & os Olimpianos (já sei praticamente de cor), Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho, Meu Pé de Laranja Lima, entre outros. Depois de um tempo, começo a sentir falta dos personagens e/ou da história e preciso reler. É uma pena que eu não tenha tempo para reler todos os livros que eu queria, mas também há vários livros há serem lidos e descobertos, então deixo para reler os que mais gostei e os que vão ter continuação ou adaptação cinematográfica (para ter os acontecimentos anteriores frescos na memória).
Enfim, já deu para perceber que reler é uma atividade comum para mim, e hoje vim escrever a vocês sobre minhas conclusões e pensamentos a partir da releitura de um dos meus livros preferidos: O Diário de Anne Frank.


"Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda".
- Anne Frank

Não é a primeira vez que escrevo sobre esse livro aqui no Minhas Leituras. Ele já teve resenha, foi livro do mês, quotes pertencentes ao livro, etc., sem contar que estou sempre citando-o em diversos posts e escrevendo textos baseados em alguma frase de Anne.
O fato é que, como já disse antes, O Diário de Anne Frank é um de meus livros preferidos e tem uma história real, além de ter me inspirado a escrever um diário (que mantenho até hoje).
Bem, não vou contar toda a história sobre como conheci e me interessei pelo livro, porque tenho uma memória remota sobre ter visto algo sobre ele na minha apostila do 3º ano (2ª série, se preferir), depois a referência da minha tia que começou a ler para mim uma vez o livro amarelado de uma edição realmente antiga, mais referências, etc, etc.. Ou seja, minha história com esse livro é muito longa. E também porque já devo tê-la contado em fragmentos em um ou outro post. E, principalmente, porque quero falar sobre minhas reflexões acerca da releitura do livro.

Ok.
De repente, "ok" virou um trocadilho comum a mim. Aliás, Anne Frank é mencionada em A Culpa é das Estrelas, quando Gus e Hazel visitam o museu em sua casa em Amsterdã.
 Por favor, ignorem a intromissão dessa imagem no post sobre Anne Frank. Eu não resisti.

 A primeira vez em que li O Diário de Anne Frank (lá vou eu de novo falando sobre mim), eu era mais nova do que ela quando começou a escrever o diário. Agora tenho (suspira) quinze anos (mas apenas superficialmente, não levem a sério minha idade, porque como eu sempre digo, sou uma eterna criança e atualmente tenho nove anos. Hum.) e hoje terminei minha enésima leitura do livro, com a mesma idade de Anne quando foi obrigada a parar de escrever e de viver. De lá (primeira vez que li) para cá reli o diário de Anne diversas vezes, ficando - de certa forma - mais próxima de Anne.
Afinal, quando você lê o diário de alguém, está lendo seus segredos e desejos mais profundos (e sendo muito enxerido, na minha opinião, então não recomendo você a ler o diário de seus irmãos nem deixar o seu dando sopa por aí). Consequentemente, você acaba sentindo que tem um laço de amizade com o dono do diário.
No caso de Anne, ela não escrevia simplesmente a seu "Querido diário". O diário era seu meio de comunicação com sua "Querida Kitty", a verdadeira confidente e amiga que ela nunca teve e sempre quis, o destinatário de seus cartas. Sabemos que Kitty nunca existiu e era apenas o modo de Anne de  chamar a pessoa inexistente que lia suas cartas e de sentir que alguém realmente conhecia quem ela era tanto por dentro quanto por fora.

 "Agora estou de volta ao ponto que me levou a escrever um diário: não tenho um amigo."

Assim, quando lemos o diário de Anne, viramos Kitty, somos seus confidentes, e podemos conhecer, por meio de seus relatos, a vida no Anexo Secreto, as pessoas que lá viviam e as pessoas que os ajudavam, além de descobrirmos todos os pensamentos, desejos e ideais de Anne.
Ao longo do livro, podemos perceber suas variações de humor, seu amadurecimento precoce provocado pela situação em que teve de viver, e a transição para a adolescência. Chega um ponto em que a própria Anne comenta sobre o que escreveu em determinadas partes do diário, explica-se para Kitty, e chega a perceber sua própria mudança. Ela passa por momentos de tristeza, depressão, raiva, alegria, solidão, amizade, etc., mas sempre acaba enfrentando com coragem e esperança seu "confinamento" no Anexo e a convivência com pessoas que ela mal suporta.
Não posso dizer que concordo com todos os atos de Anne. Acho que talvez ela pudesse ter tido uma relação melhor com sua própria família, entendido-os melhor e aprendido a amá-los, embora não possa julgá-la sem ter estado em seu lugar. Também não acho que éramos parecidas - não apenas em termos de modo de vida, sociais, obviamente não passamos pelas mesmas coisas, - ela era diferente de mim na maioria de pensamentos, ideias e jeito de ser, mesmo quando não estava escondida e levava uma vida mais ou menos comum (tirando o fato de ser judia e ser privada de montes de coisas). Mesmo assim, acho que se tivéssemos nos conhecido, poderíamos ter sido amigas. De qualquer forma, temos uma coisa em comum, um dom, prazer e necessidade: escrever. Nós duas amamos ler e escrever e podemos nos expressar melhor dessa maneira - embora com certeza Anne fosse mais comunicativa e extrovertida do que eu -, e precisamos escrever como se fosse um gesto vital. Mas ela precisava disso muito mais que eu, na situação em que se encontrava. Ela não tinha um verdadeiro amigo com quem conversar, ninguém além de Kitty para confessar seus verdadeiros sentimentos. E Anne também queria ser escritora, escrevia excepcionalmente bem, na minha opinião. E isso porque era seu diário (acreditem, eu escrevo de um jeito não muito bonito e inspirador no meu diário).

"Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta. Mas pergunto-me: escreverei alguma vez coisa de importância? Virei a ser jornalista ou escritora? Espero que sim, espero-o de todo o meu coração! Ao escrever sei esclarecer tudo, os meus pensamentos, os meus ideais, as minhas fantasias."

Anne sempre manteve a fé e tinha esperança de que a guerra logo acabaria, tudo ficaria bem e ela poderia viver o resto da vida realizando seus sonhos. Realmente, pouco tempo depois de ter morrido em um campo de concentração, o mesmo foi libertado, a guerra acabou. Ela ainda tinha muito para viver e aprender, e tenho certeza de que teria sido uma ótima escritora, mas sua vida foi violentamente interrompida quando seu esconderijo foi descoberto e os oito membros que ali viviam foram separados e levados a sofrer e morrer por conta de doenças, falta de higiene, em campos de concentração. Ainda assim, seu sonho foi realizado depois de sua morte, e seu diário foi publicado e ficou conhecido no mundo inteiro. Assim Anne vem servindo de inspiração e sendo fonte de reflexão para a humanidade. Ela fez a diferença no mundo, como queria. Eu a admiro e continuarei admirando.
E que tipo de reflexão tiro disso tudo? O Diário de Anne Frank é o testemunho dos horrores da guerra. Apesar de conhecermos a história de Anne, podemos imaginar quantas outras jovens, garotos, crianças, adultos e idosos, pessoas inocentes e humanas como nós, sofreram e morreram só porque eram de religião e crenças diferentes. Como alguém pode pensar que pessoas só por serem diferentes eram merecedoras da morte?

 "Apesar de tudo eu ainda creio na bondade humana."

Dá uma dor no coração terminar esse livro. A medida que se aproxima do fim, você gostaria de ser capaz de ajudá-la, de salvar Anne de seu destino terrível. Quando termina seu último registro, que falava sobre os dois lados dela mesma, onde ela dizia que tentava melhorar cada vez mais, lutar contra seus defeitos e falhas como sempre fazia, você sente como se perdesse uma amiga, lembrando de que não é uma simples ficção. É tudo verdadeiro. Ao ler o posfácio, onde explicam-se para onde foram levados os membros do Anexo e quando morreram, mais uma vez minha visão foi embaçada pelas lágrimas e, com o coração pesado, mais uma vez fechei o livro e abracei-o, despedindo-me e agradecendo a Anne por ter deixado que eu lesse seu diário, obra preciosa de uma verdadeira escritora que sempre será uma de minhas preferidas. Não só por sua escrita magnífica. Mas pela amizade e comoção que, sem querer, Anne causou a tanta gente... E a mim.

"Uma pessoa feliz tornará as outras felizes; uma pessoa com coragem e fé nunca morrerá na desgraça."
- Anne Frank

***

P.S.: O post de hoje ficou muito grande e não tenho tempo de revisá-lo agora. Não sei se alguém terá paciência para ler tudo isso, mas era isso o que eu realmente precisava escrever hoje. Esse livro é muito especial para mim, e dessa vez eu o aproveitei ao máximo :) A, e desculpem se coloquei parênteses demais.


Sua Bia F. T.


5 comentários:

  1. Hey Bia! Já tinha ouvido falar muito desse livro, mas creio que só atiçou minha curiosidade agora. Entrou pra minha lista, com certeza! Beijos, Nath ;)

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    1. Que bom que meu post inspirou vc a lê-lo! É muuuito bom!

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  2. Eu adoro livros escritos em forma de carta, e esse é o meu favorito <3, muito lindo seu texto(só li a metade comecei a lacrimejar depois).

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  3. Oi Bia!! Gostei muito do post! Sempre quis ler esse livro, mas ainda não tive oportunidade!! Eu tenho que fazer uma lista dos livros que quero ler!! Além do skoob, é claro! rsrs Post muito bem escrito! Deu vontade de ler agora!!

    Beijinhos
    blog-belavida.blogspot.com (meu mundo em tons pastéis)

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